Peixes da bacia do rio São Mateus: composição e conservação em uma bacia degradada

Nome: Natane Sartor de Oliveira
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 07/07/2017
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Leonardo Ferreira da Silva Ingenito Co-orientador
Luiz Fernando Duboc da Silva Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Luiz Fernando Duboc da Silva Orientador
Tathiana Guerra Sobrinho Examinador Interno

Resumo: A bacia do rio São Mateus é a segunda maior do estado do Espírito Santo, sendo formada pela junção dos rios Cotaxé e Cricaré, possuindo cerca de 13.480 km² de área e banhando 23 municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo. Com o objetivo de descrever a composição e distribuição das espécies de peixes, procurando relacioná-las à estrutura do hábitat, foram selecionados 40 pontos de amostragem entre as sub-bacias dos rios Cotaxé e Cricaré. As coletas ocorreram entre 2012 e 2016, de forma intensiva e generalizada, com métodos que variaram de acordo com a fisiografia do ambiente. Os exemplares capturados foram, em campo, transferidos para solução anestésica de 1 g/l de benzocaína e logo após fixados em solução de formol a 10%, sendo posteriormente transferidos para álcool 70% em laboratório, onde foram identificados, preservados e depositados na Coleção Zoológica Norte Capixaba (CZNC/CEUNES). A qualidade ambiental foi interpretada com auxilio de protocolos adaptados que avaliam o hábitat com base em características visuais, e complementada pela medição de fatores abióticos, sendo eles: temperatura, pH, condutividade elétrica, solutos totais dissolvidos (TDS), fluxo, turbidez e oxigênio dissolvido, por meio de medidores multiparâmetros de campo. O registro da ictiofauna mostrou que nos 18 pontos amostrados na sub-bacia do rio Cotaxé, foram coletados 7047 exemplares de 50 espécies, 21 famílias e oito ordens. Nos 22 pontos da sub-bacia do rio Cricaré, foram coletados 6070 exemplares de 48 espécies, 18 famílias e sete ordens. Espécies introduzidas como: Prochilodus argenteus, P. lineatus, o gênro Pygoncentrus, Clarias gariepinus, Poecilia reticulata, Coptodon rendalli e Oreochromis niloticus foram capturadas entre as duas sub-bacias. Dentre as análises realizadas, o teste U indicou que o oxigênio dissolvido foi o único fator ambiental que variou de forma significativa entre as sub-bacias. Uma análise de variância indicou que a abundância de espécies difere significativamente entre as duas sub-bacias, porém a riqueza não. Quanto à composição de espécies, uma análise de similaridade mostrou diferenças significativas entre as sub-bacias quando utilizados os dados de abundância. Nesse caso, um SIMPER (Similarity Percentages) indicou que os táxons mais importantes na determinação da diferença entre os grupos foram as espécies Astyanax sp. 1 aff. A. intermedius, P. vivipara, P. reticulata, Knodus sp. aff. K. moenkhausii e Geophagus brasiliensis, que juntas foram responsáveis por 52,1% dessa variação. Uma regressão múltipla revelou que apenas a condutividade e o pH mostraram influência significativa na variação da abundância. A ordem Characiformes apresentou maior riqueza e abundância, com dominância das espécies dos gêneros Astyanax e Knodus; a ordem Siluriformes foi a segunda mais rica, porém a terceira mais abundante; a ordem Cyprinodontiformes, cuja riqueza foi composta por duas espécies, P. vivipara e P. reticulata, ambas oportunistas, foi a segunda mais abundante. Na região Neotropical, esse padrão de sucesso adaptativo (Characiformes e Siluriformes) é comum, mas a abundância de espécies generalistas quanto aos hábitos alimentares e tolerantes as variações ambientais, bem como a presenças de espécies introduzidas e carência de espécies exigentes e raras, atestam a degradação ambiental da bacia.

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